A Iniciativa

Lugares para Todos - Construir um Novo Mundo

A diversidade humana é cada vez mais reconhecida como um dos nossos maiores valores e a sua importância tem vindo a crescer na forma como nos relacionamos na vida pessoal, profissional e cultural.

Todos nós temos direito a ser diferentes, cada um com as suas características físicas ou de personalidade, mas ao mesmo tempo todos temos, ou deveríamos ter, os mesmos direitos e deveres na sociedade em que vivemos.

Num mundo ideal isto seria possível, mas no mundo real todos nós sabemos que existe um gap para resolver.

Se todos nós somos diferentes, a realidade diz-nos que a sociedade exclui mediante a definição de um padrão do ser humano.

Existem vários tipos de exclusão e um dos mais significativos é a exclusão das pessoas com diversidade funcional devido à incapacidade física, sensorial ou cognitiva para interagir com o ambiente que as rodeia devido à forma como os lugares estão concebidos.

Um lugar pode ser definido como um espaço que interage com as pessoas através do ambiente físico, sensorial ou relações interpessoais, sempre com autonomia e dignidade no seu usufruto. Desde logo o local onde vivemos, o local de trabalho e a relação com os colegas, as actividades do dia a dia, o restaurante onde tão bem se come, o magnífico monumento histórico de visita obrigatória, a universidade, o evento mais badalado da cidade, os parques naturais. Uma região com lugares que proporcionam a todos uma relação de identidade é uma região atrativa e desde logo com um elevado potencial de desenvolvimento.

Ambiente físico: as características que permitem que o espaço interaja com quem o frequenta através da mobilidade e presença física da pessoa, desde a sua chegada, o usufruto dos seus bens e serviços até à sua partida.

Ambiente sensorial: destacam-se aqui todas as características que tornam possível a interacção das pessoas no espaço através dos sentidos, como por exemplo o conteúdo visual, os sons, os textos ou as cores.

Relações interpessoais:  é a forma como o lugar interage e comunica através de comportamentos humanos.

Por outro lado, existem no mundo mais de 1 bilião de pessoas que têm diariamente desafios, tanto na mobilidade como a capacidade de interagir com os lugares através dos sentidos, entender correctamente as mensagens (exemplo: pessoas com afasia), bem como aqueles que percepcionam os estímulos de forma bastante mais intensa (exemplo: pessoas com autismo). Estas pessoas procuram diariamente lugares que lhes proporcionem autonomia e o máximo de conforto possível. Se tivermos em conta que estas pessoas estão quase sempre acompanhadas por familiares e amigos, o número aumenta exponencialmente e o problema torna-se ainda mais grave.

Isto sem contar que qualquer um de nós, em algum momento da vida, seja por gravidez, lesões ou envelhecimento, perdemos capacidades de mobilidade, sensoriais ou de comunicação de forma temporária ou permanente.

Como errar é humano, estamos perante um erro histórico e deveremos aprender com ele.

O Homem criou produtos e serviços, inventou a electricidade, a arquitectura, o design ou a engenharia, mas esqueceu-se da acessibilidade universal como um requisito de qualidade de vida.

Ainda vamos a tempo de mudar, assumindo desde já o compromisso com a inclusão. A implementação da acessibilidade universal em todas as nossas acções, tanto na vida pessoal ou profissional, traz um conjunto de vantagens e benefícios, não só para os nossos lugares como também para a sociedade.

Juntos construímos um novo mundo inclusivo… de todos para todos!!

Hugo Vilela - Fundador da Places4All

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